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Uma ex-trabalhadora da Telefônica/Vivo denunciou ao Sinttel Bahia ter sido vítima de assédio moral e intolerância religiosa enquanto fazia parte do quadro de empregados da operadora.

 

De acordo com a ex-empregada, após a sua gestora, coordenadora de relações trabalhistas da Telefônica, ter conhecimento de que ela é adepta à umbanda, religião de matriz africana, a forma de tratamento dispensada a ela foi drasticamente alterada. Excesso de trabalho, redução do horário de almoço, isolamento, insinuações maldosas e deboche por conta da sua religião, foram algumas das práticas adotadas pela gestora para atingir a trabalhadora.

 

Para comprovar as perseguições que vinha sofrendo, a trabalhadora realizou gravações com o telefone pessoal. Em uma dessas gravações, a trabalhadora conseguiu registrar a sua então gestora afirmar que “queria vê-la não trabalhar”, “que ela iria ficar sem mão aqui (na Telefônica), que ela iria se danar”, além de tramar uma série de atos de perseguição e retaliação à trabalhadora até culminar com a dispensa da empregada, que na época dotava de estabilidade por integrar a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA.

 

O problema foi informado à empresa através de denúncia aos gerentes de Relações Trabalhistas e de Recursos Humanos, além do uso dos canais de comunicação como o Alerta Vivo,(canal de comunicação para reclamações e denúncias no âmbito da empresa), mas nenhuma providência foi tomada.

 

Em decorrência dos constantes assédios, a ex-trabalhadora foi diagnosticada com a Síndrome de Burnout, doença resultante de esgotamento profissional. “Perdi totalmente a vontade de trabalhar, pois ficava imaginando qual seria a forma de tortura que iria passar naquele dia. Ela agendava várias audiências sem me avisar e exigia que eu participasse de até duas sessões ao mesmo tempo, como se eu fosse onipresente. Essa foi uma das muitas formas encontradas por ela para tentar me taxar de incompetente, caso não cumprisse com o que foi demandado por ela”, disse.

 

A ex-empregada já ajuizou processo na Justiça do Trabalho sobre o assunto e pede indenização por danos morais. A audiência está agendada para ocorrer no dia 05 de julho, às 9h05, na 36ª Vara do Trabalho de Salvador. “Eu quero que se faça justiça, que outras pessoas possam assumir a sua religião sem ter medo de represálias. Sabemos que a intolerância religiosa é crime e precisamos fazer valer esse direito constitucional”, ressaltou a ex-trabalhadora.

 

O Sinttel Bahia exige posturas enérgicas da Telefônica sobretudo pela extrema gravidade da situação, que adoeceu uma trabalhadora e discriminou todo um grupo religioso. O Sindicato está acompanhando o caso e convoca a todos que se solidarizarem com a trabalhadora, para comparecerem à sessão.

 

Assista à reportagem com as declarações da ex-funcionária: http://g1.globo.com/bahia/batv/videos/t/edicoes/v/funcionaria-de-empresa-de-telefonia-denuncia-caso-de-intolerancia-religiosa/5985202/

 

Assista também, Justiça começa a julgar caso de intolerância religiosa: http://g1.globo.com/bahia/batv/videos/t/edicoes/v/justica-comeca-a-julgar-caso-de-intolerancia-religiosa-ocorrido-em-empresa-de-telefonia/5987720/

 

 

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